São vários os amigos que foram sumindo ao longo da vida. Mas de muitos tenho saudades e boas recordações. Muitos me ajudaram, me ensinaram, foram companheiros em horas difíceis, me disseram coisas importantes. Alguns sumiram para nunca mais, outros eu simplesmente perdi o contato. Mas onde quer que estejam, tanto os que já se foram quanto os que ainda estão por aí em algum lugar, fiquem todos sabendo que guardo-os do lado esquerdo do peito.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Amigos sumidos
São vários os amigos que foram sumindo ao longo da vida. Mas de muitos tenho saudades e boas recordações. Muitos me ajudaram, me ensinaram, foram companheiros em horas difíceis, me disseram coisas importantes. Alguns sumiram para nunca mais, outros eu simplesmente perdi o contato. Mas onde quer que estejam, tanto os que já se foram quanto os que ainda estão por aí em algum lugar, fiquem todos sabendo que guardo-os do lado esquerdo do peito.
28. Bloco das Piranhas

terça-feira, 11 de dezembro de 2007
27. Tentativa de decolar

As paredes eram revestidas de trabalhos que eu tinha feito recentemente para diversos clientes/amigos. Trabalhos para a Chuka (empresa de confecção infantil do Waldir Abi-fadel), para a Rapo (empresa de confecções da Telma Yamagata), para a VendeModa (empresa de moda adulta também do Waldir Abi-fadel), trabalhos para a Sobremetal (multinacional de processamento de escória de aço cujo diretor era o Zeca Gurgel do Amaral), Relatório Anual para a Petrobrás (intermediado por meus amigos Jorge e Alexandre Sávio da Gráfica Europa), início de uma relação de trabalho e continuação de uma relação de amizade que se aprofundou posteriormente com meu velho e hoje saudoso amigo Arino de Mattos Filho, tabelião de Niterói para quem desenhei inicialmente um logotipo para seu cartório que era o único da cidade que ostentava uma imagem que se reproduzia na fachada, nos papéis, nas capas dos processos e em vários ítens, algo inteiramente inusitado, pois todos os outros usavam aquelas pastas tradicionais feitas na tipografia da esquina e que se usam até hoje. O momento na economia era de um certo aquecimento e eu senti que aquele escritório alí naquele porão úmido das Charitas deveria adquirir uma feição mais profissional e aluguei uma sala na sobreloja do edifício Center IV, em Icaraí, justo em cima da loja de venda de materiais de decoração (cortinas, revestimentos, etc.) que minha mulher tinha em sociedade com a irmã Cristina. Meu ex-aluno Nelson Moraes Mendes tornou-se meu sócio e a Ângela Lima Souto continuou sendo nossa estagiária. Não sei de onde surgiu a Claudia Morpurgo, filha da Tereza, e neta do velho Dr. Admar Morpurgo, velho amigo da família de minha mãe, um velho médico histriônico. Ela era estudante de Belas Artes e pensou que podia também estagiar ali conosco mas acho que percebeu que aquela não era a praia dela. De alguma forma o escritório ia se mantendo e fazendo trabalhos basicamente para as indústrias e principalmente para o comércio de moda de Niterói. Muitas lojas de Icaraí tinham marcas desenhadas pelo nosso escritório. Nosso boy Zé Carlos continuava firme conosco e a Laura, irmã da Ângela Lima Souto era a nossa secretária. Minha relação de trabalho com o Aldo Luiz - que àquela altura parecia não estar mais satisfeito com o emprego de diretor de arte da Polygram (gravadora e editora fonográfica) desenvolveu-se mais e virou uma parceria empresarial. Abrimos uma firma que se chamou Artistas Gráficos Ltda.

Naquele mesmo endereço do Center IV. Esta tentativa de tornar-me empresário, aliada à crise que se abateu sobre a economia brasileira com o fim do chamado "milagre econômico" como o chamou o ministro Delfim Netto, me fez vender a casa das Charitas. Fomos morar por empréstimo num apartamento que tinha sido do Aldo Luiz e naquele momento era do publicitário Roberto Wrencher, amigo do Aldo Luiz, e que ficava na rua Lopes Trovão, esquina com rua Barros. Minha mãe havia morrido recentemente e eu e meus irmãos tínhamos herdado um belíssimo apartamento que era nosso (em usufruto dela) alí mesmo na rua Barros, a uns 50 metros de apartamento do Roberto Wrencher. Fomos para lá então, e com o dinheiro da venda da casa das Charitas, montamos o apartamento da rua Barros - este da herança. Tudo novo. Todo atapetado com tapetes Cerello; móveis todos novos da Tok-Stok. Como o Aldo Luiz vinha da indústria fonográfica, trouxe consigo alguns clientes dessa área. Fizemos alguns trabalhos interessantes para esse segmento. A capa do primeiro disco do Lulu Santos - um compacto simples, que é como se chamavam os discos daquele formato, com uma música de cada lado; uma capa muito interessante para o disco 'Escândalo' da Ângela Rorô; a capa do primeiro disco lançado após a morte da Elis Regina, a capa de um disco extemporâneo da Marília Medalha, outras capas para a Warner Records através do Heleno Oliveira, um dos executivos da gravadora, das relações do Aldo Luiz.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
CPMF - Perguntar não ofende
domingo, 9 de dezembro de 2007
26. Rocks rurais.
Foi quando morávamos na casa das Charitas que começamos a acampar com mais freqüência. Descobrimos um lugar que hoje não mais permite que nele se acampe, no alto das Agulhas Negras mais perto daqui de Resende onde hoje moramos. Íamos de Niterói com os amigos, depois de muitos preparativos e reuniões onde se decidia o que íamos levar, e juntávamos nossas muitas barracas que formavam num grande circo e era bonito de se ver.

Demandava uma certa engenharia para armar as barracas todas de um certo modo. Nossa vontade de acampar era tão grande que em todos os feriadões, desses que juntavam a quinta-feira da semana anterior com a terça-feira da semana seguinte deixando enforcadas a sexta-feira da semana anterior e a segunda-feira da seguinte subíamos a serra da Mantiqueira indo pela Dutra e saindo dela no entroncamento para Engenheiro Passos indo em direção a Itamonte, por uma belíssima estrada bem desenhada, com as curvas compensadas, que tinha sido projetada pelo pai de João Sampaio (nosso amigo de juventude e arquiteto que foi prefeito de Niterói). Numa localidade chamada Registro, deixávamos essa estrada e entrávamos à direita por uma estradinha que ia serpenteando e subindo 8 km em direção às Agulhas Negras. Lá em cima num local conhecido por Brejo da Lapa tínhamos o "nosso lugar".

Os acampamentos eram ótimos. Muito frio. Geadas às vezes no inverno e gêlo sobre a água do brejo. Fogueiras à noite, todo mundo tomanho banho nú juntos, e fazendo cocô no mato. Algumas vezes fechávamos as barracas e descíamos a estradinha indo até a cidadezinha de Itamonte. Uma das vezes que fomos lá, nossas filhas e a Luluca que era uma das amigas delas e que foi acampar conosco, entraram num concurso de dança de adolescentes numa matinê na "Boite Barrica Som" e arrebataram todos os prêmios e devem ter mexido com os corações dos jovens locais. Em outra ocasião, também em Itamonte, fomos durante um carnaval assistir ao desfile das pobres escolas de samba locais. O samba-enredo de uma delas, cujo nome não me lembro, exaltava as belezas locais e dizia: "Itamonte, seu nome já diz/Nasceu entre os montes/ Seu povo é feliz".

Voltávamos para nosso acampamento de madrugada e ele estava lá, intacto, no ermo do Brejo da Lapa, iluminado pela luz de uma lua que parecia um enorme queijo de minas. Depois de termos ido dezenas de vezes acampar no Brejo da Lapa, decidimos explorar outros locais e fomos pela primeira vez a Visconde de Mauá. Naquele tempo (entre 1975 e 1980) lá não havia senão algumas pouquíssimas pousadas. Acampamos onde anos mais tarde foi construído e está lá até hoje (2007) o Hotel do Amaro. Chovia torrencialmente às tardes e às noites. Ficávamos nas barracas tocando violão e cantando, e pelas manhãs saíamos para explorar o local. Tudo era bonito e divertido. O rio Preto era limpíssimo e nos proporcionou muitos banhos nos quais deixávamo-nos levar pela sua correnteza. Desde aquela primeira vez, fiquei apaixonado pelas belezas de Visconde de Mauá e disse que um dia ainda iria morar lá. Animei meu cunhado Paulo Ramagem a conhecer aquele lugar e ele foi se hospedar com a Luiza e os filhos (acho que três naquele tempo) no hotel Chalés Planalto que hoje tem outro nome. Ele também se apaixonou pelo lugar e acabou comprando um grande sítio onde construiu uma casa.
25. A alegria da casa das Charitas.
A Casa das Charitas era muito alegre. Nela recebíamos nossos amigos com os quais brincávamos de fazer música. Tivemos até durante um certo tempo o piano que havia sido de minha mãe e que depois mandei de volta para a casa do meu irmão mais novo de onde veio quando ele precisou ser internado. Lá ficávamos tocando instrumentos e cantando nos fins de semana. Nossas filhas, por sua vez recebiam seus amigos e amigas adolescentes não apenas para desfrutarem da piscina, que era a grande atração, como também para as trocas comuns da idade. Às vezes o quarto delas amanhecia um mar de colchonetes com vários amigos e amigas dormindo pelo chão. A vizinhança era simples, só casas. Na casa da esquina moravam dois meninos o Wagner, que atendia pelo apelido de Vaguinho, e seu irmão Waltemir, que era o Valtemirzinho. Tínhamos trazido as cadelas Maricota e Florisbela que tínhamos desde a casa do morro de Santa Teresa.


Quando, por nosso descuido alguma delas, sobretudo a Florisbela (da raça pointer) fugia era um problema trazê-la de volta. Mobilizava-se toda a vizinhança. Da varanda de nosso quarto tínhamos uma vista para o Saco de São Francisco e no silêncio da noite, ouvíamos o barulho das ondas quebrando na praia.

As meninas, e nós mesmos, vivíamos dando festas. O aniversário de 15 anos da Adriana foi uma grande festa com mesinhas em volta da piscina e garções servindo. Já o da Priscilla foi uma festa à fantasia, na qual eu fui fantasiado de lutador de kung-fu. Foi nesta casa que a Priscilla começou a desenvolver sua aptidão para o teatro. Ela inventou um teatrinho de bonecos, com um sistema de manipulação original. Tinha cenários, personagens e algumas "peças" ensaiadas. Eu construí uma caixa com cortina que se abria e luzinhas de árvore de Natal na ribalta. O teatro chamava-se "Teatro Anônimo" (isto foi por volta de 1978/79) e houve uma noite de estréia para a qual foram convidados os amigos dela e os nossos. Aliás não havia muita diferença entre quem era amigo de quem. Nossas filhas se relacionavam de igual para igual com os nossos amigos e vice-versa. O sucesso desta estréia foi sensacional. Uma das peças passava-se num "saloon" de faroeste e chamava-se "O Xerife Ted e sua Adorável Esposa", na qual o xerife Ted, naturalmente, era o protagonista. Adriana que já devia ter seus 15 anos estava às voltas com as primeiras ilusões e desilusões amorosas. Priscilla aparentemente ainda não estava nesse momento. Dedicava-se à criatividade e depois do sucesso do "Teatro Anônimo", escreveu um livro que decidiu publicar. Chamava-se "No Reino das Pulgas". Contava as aventuras de uma pulga que vivia nos pelos de um cachorro chamado Bernardo. Não sei de que maneira ela interessou uma editora de livros infantis a publicar o livro. Ajudado por meus amigos Jorge e Alexandre Sávio, donos da Gráfica Europa, consegui a composição tipográfica de graça e à partir dos desenhos da Priscilla finalizei as artes das ilustrações dela para a capa. O livro foi lançado, teve tarde de autógrafos e tudo, e foi adotado como livro-texto por algumas escolas, principalmente aquela onde ela estudava, o Minigay. Todo ano íamos com ela à editora receber os "royalties" sobre a venda do livro. Era uma ninharia e da última vez que fomos, o dinheiro mal deu para pagar o estacionamento. Mas, de qualquer modo foi algo que gratificou-nos a todos.

Abaixo uma poesia de minha mulher Anna lembrando da casa das Charitas:
Charitas
Casa da melhor memória
Da fase de glória
Casa do recreio da vida
Casa divertida
Casa da cantoria
Que tanto de noite ou dia
Vivia cheia de gente
Casa ardente
Casa movida a som
Com fantasia de reveillon
boiando na piscina
Casa de Dona Lica e Dona Pedrina
Casa bem perto da esquina
Na rua João Delgado
Casa em que todo dia
parecia feriado
Casa da liberdade
Do auge da mocidade
Casa do outdoor do chiclete
Do louro pintando o sete
E aprendendo francês
Casa da cachorrada
Que de fêmeas
Tinha três
De muita fartura na mesa
Pra alimentar a moçada
Casa da gata siamesa
E sua fáfrica de filhote
Casa da Papelote
Casa de era uma vez
Pintada na parede do quintal
Casa de varanda com rede
E de por de sol especial
Casa das festas com garçom
Casa repleta de artistas
Casa tudo de bom
Casa de Charitas.
sábado, 8 de dezembro de 2007
24. Do high-tech para o my-tech

A sala vinha logo em seguida e era conectada com um espaço que devia ter sido uma varanda e que agora era uma extensão da sala, embora separada dela por uma incompreensível parede, que dava para o quintal. Como o terreno era em declive, essa antiga varanda na verdade cobria um pequeno espaço que ficava ao nível do quintal e que naturalmente acabou se convertendo em meu estúdio. Meu amigo Júlio Cesar Christophe da Silva, o Murce me ajudou com uma marreta a derrubar a parede de união entre a sala e esta tal ex-suposta-varanda, juntando-a à sala fazendo com que ela ficasse enorme. No pavimento superior eram os nossos quartos. Entre eles um bom banheiro. O quarto das meninas dava para a frente e o nosso para uma varanda, que por sua vez dava para o quintal e de onde se avistava o mar. O pôr-do-sol nas Charitas é lindo, e dessa varanda, deitados na rede, podíamos vê-lo em toda sua beleza.
O tal espaço ao nível do quintal que transformei em meu estúdio era muito pequeno, embora simpático. No quintal construí uma piscina que revesti de mármore (um luxo) que o Marcelo Ribeiro conseguiu de graça de um de seus clientes, a Marmoraria São João. Eram placas uniformes, que nem azulejos, que a marmoraria ensaiava vender como material de revestimento de fachadas e que o Marcelo estava fotografando para um folheto para divulgar essa possibilidade. Fiz também um filtro artesanal para a piscina. Fim de semana e a casa ficava cheia. Amigos nossos, poucos, e das meninas que estavam na adolescência, muitos, todos na piscina que dava uma trabalheira para limpar e conservar. Piscina é bom na casa dos outros. Na parede de um dos vizinhos, o Oswaldo que confinava com o nosso quintal e que acompanhava a forma da casa dele, pintei um mural que reproduzia uma casa "fake" que ficou engraçado. Fiz um ajardinado na frente da porta de mentira e ficou bem interessante.

Os vizinhos do outro lado eram muito pobres e problemáticos mas tocavam uns chorinhos de cavaquinho num gravador aos fins de semana que eram ótimos.
23. O IACS da UFF
O Instituto de Matemática em foto de Edmundo (Luiz Edmundo de Castro). O Edmundo jamais acreditou que um dia a fotografia viria a ser digital. Bom fotógrafo, boa gente.Depois o IACS iria se mudar para um velho casarão onde tinha sido o antigo e tradicional Colégio Bittencourt Silva.
Neste casarão do velho Bittencourt Silva descobri um velho portão que era um depósito de carteiras e mesas quebradas, limpei-o com a ajuda de meus alunos, pintamos o porão, fizemos luminárias de latas de óleo lubrificante, trouxe lâmpadas de minha casa, pois por incrível que pareça, a UFF não tinha uma verba para trocar lâmpadas ou comprar novas, e instalei uma sala/estúdio bastante simpática e sem aquele aspecto de sala de aula. Neste estúdio dei as melhores aulas de minha carreira de professor. Ali tive como aluno brilhante, entre outros, o Nelson Moraes Mendes que mais tarde veio a ser até meu sócio num escritório que primeiro funcionou experimentalmente num porão em frente à minha casa e mais tarde num prédio comercial em Icaraí.Enquanto professor do IACS, tive excelentes alunos que se destacaram e hoje devem ser bons profissionais. Também tive alunos medíocres que não devem ter ido muito longe. Jamais dei uma prova a meus alunos. Dizia a eles que quem os aprovaria ou reprovaria seria a vida, pois é assim que acho que é. Eles parece que gostavam de minhas aulas. Fui por três vezes convidado a ser paraninfo de turmas que se formavam. Senti-me honrado com isso nas três vezes. Uma de minhas alunas brilhantes, que todos os que vêem o "Globo Esporte" conhecem é a Milena Ceribelli.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
22. Do desvio para o high-tech.
De uma forma ou de outra, a experiência com as projeções de arte cinética à noite na parede de edifício em frente à nossa casa acabou dando frutos. Um dos passantes que parou para ver foi o Norton Tavares da Cunha Mello, que vinha a ser amigo do Paulo Ramagem, meu concunhado, casado com a Luiza, irmã da Anna, e ficou impressionado com o que viu e no ato me convidou para ir trabalhar no SERPRO, Serviço Federal de Processamento de Dados - onde era alto funcionário, a fim de preparar material visual para "venda" de prestação de serviços daquela empresa pública para seus clientes (que eram também órgãos públicos). Bom salário, consideração, bom ambiente de trabalho, ótimos colegas. Naquela época (1973) a tecnologia do processamento de dados dava seus primeiros passos.

Os computadores eram do tamanho de geladeiras e eram centenas de vezes menos poderosos do que este no qual estou escrevendo. Era cheio de luzinhas que piscavam como nos primeiros filmes de ficção científica que apresentavam aquelas máquinas como coisas do futuro. As impressoras eram do tamanho de duas máquinas de lavar roupa postas lado a lado e faziam um barulho ensurdecedor. Essas máquinas enguiçavam a toda hora e tinha um engenheiro/mecânico/eletrônico super especializado residente, isto é, morava literalmente no CPD - Centro de Processamento de Dados - que era como se chamava a sala aonde ficavam os computadores. O escritório central do SERPRO era na rua da Lapa, em cima da ACM. Minha cunhada Cristina estava namorando o Gustavo, que acabara de se formar na ESDI e estava buscando um emprego para poder casar. Levei-o para trabalhar comigo. Juntos fizemos muitos trabalhos interessantes que causavam um grande impacto usando o que naquele tempo era a última palavra em comunicação empresarial para fins de venda, os chamados "audio-visuais", nada mais do que conjugação de slides com som usando projetores simultâneos monitorados por fitas magnéticas que continham além da trilha sonora "bips" que controlavam o avanço e o tempo de exposição das imagens em cada projetor. Eu tinha aprendido essa tecnologia em Chicago e os trabalhos que fizemos no SERPRO foram muito elogiados. Muitas das trilhas sonoras foram gravadas pela voz do Cid Moreira que começava sua carreira de locutor. Desfrutávamos de um certo prestígio. Nossa posição era única no meio de toda aquela tecnologia de computação. Os colegas de trabalho (analistas de sistema e programadores de computador - que eram profissões novas na época) eram ótimas pessoas e uns figuraços. A empresa era extremamente liberal para com a aparência e o comportamento de seus empregados, todos um misto de bichos-grilo e cientistas. Barbudos, cabeludos, de sandálias e camisetas. Até mesmo os diretores. Todos tratavam-se por 'você', mesmo ao se dirigirem aos superiores do alto escalão. Como tudo aquilo era novidade, era como se todos pertencêssemos à uma mesma tribo, portanto deveríamos ser iguais, onde a hierarquia era uma mera figura de organograma. Colegas inesquecíveis: o próprio Norton Tavares da Cunha Mello quem me abriu as portas daquela empresa, Francisco Sá, Gravatão (cujo nome verdadeiro me esquecí), Jorginho da Costa Ferreira (meu diretor no CNT), Zulmar Teixeira, Marcos Santiago, Américo Lobo Júnior, Professor Homero, Roberto Garcia de Souza, Jordão, Mário, a dupla Rivero e Pondé, Frederico - o Fredy, Antônio Jorge, Carlos Eduardo Borges Rodrigues, Jozias Benedicto de Moraes Neto, William George Castello Wills, Ricardo Leão; as meninas: Cecília Pinho, Francisca, Aninha - da Seleção, Evanda, Conceição e outros e outras que me lembro das figuras mas não consigo me lembrar dos nomes. Todos com menos de 30 anos, inclusive os diretores e o presidente. O SERPRO tinha aquilo que chamava de URO's (Unidades Regionais de Operações) em 10 estados brasileiro e viajei muitas vezes àquelas localidades (aproveitando parta conhecer o Brasil) para dirigir o trabalho fotográfico (quase sempre levando meu grande amigo e fotógrafo João Castrioto) de aspectos significativos de seus trabalhos com a finalidade de documentação ou de ilustrar algo que eu estivesse projetando.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
21. No desvio, pero sin perder la ternura.
20. O Samba Mandou me Chamar
Ai que vontade que eu tenho de voltar
Adeus América, essa terra é muito boa
Mas não posso ficar, porque...
O samba mandou me chamar
O samba mandou me chamar!
Eu digo adeus ao boogie-woogie, ao woogie-boogie
E ao swing também
Chega de rocks, fox-trotes e pinotes
Que isso não me convém.
Eu vou voltar pra cuíca, bater na barrica, tocar tamborim
Chega de lights e all rights, street fights, good nights
Isso não dá mais pra mim
Hey bop rebop, eu quero um samba feito só pra mim.
O samba mandou me chamar
O samba mandou me chamar!
20. Flower Power
Quando nos despedimos - dele e de sua mulher Elaine que foram nos levar no O'Hare Airport - entre muita emoção, eu disse com tristeza que talvez jamais voltaríamos a nos ver novamente e que eu estava indo para muito longe. Ele me disse com candura e simplicidade que continuávamos juntos como tripulantes e que eu estava apenas indo para outro compartimento da mesma espaçonave. Me deu um beijo e nos desejou boa sorte.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
19. Fuck Nixon

Os enfrentamentos com a polícia eram freqüentes, os veteranos de todas as guerras que aquele país já tinha inventado (e continua inventando) participavam com suas jaquetas militares furadas de balas e em cadeiras de rodas. A época era de grande efervescência política e cultural. Estava acontecendo muita coisa ao mesmo tempo. À noite, no jornal da televisão via-se, pela primeira vez, a guerra ao vivo diretamente do Vietnam. Nos fins de semana a moçada ia para os parques fazer música, fumar seus baseados e "have fun". Os ídolos mais 'cabeça' da música popular cantavam a liberdade que gostariam de ter.
Joan Baez e Bob Dilan
Jimmy Hendrix18. How do you do, Jack!?

Com a ajuda de um outro casal de amigos do Julio, a Maria Célia e o Vic (Victor Pasnick) americano colega do Julio na University of Chicago, fomos ver um apartamento em Up Town, já quase fora dos limites urbanos e entrando no primeiro subúrbio ao norte de Chigaco - Evanston. Era um edifício novinho, com apartamentos de 2 quartos para famílias tipo "low income". Ou seja, tipo a gente. Já tínhamos ido ao Salvation Army onde compramos a pouca mobília usada baratíssima com a qual mobililiamos o apartamento da Coles. Aluguei um reboque, atrelei ao carro, despedí-me do Jack e fizemos a mudança nós mesmos. O apartamento que ficava no 12º andar era grande e novo. Ficava West Eastwood Ave. duas quadras da Lake Shore Drive para dentro, na beira do Lago Michigan que dava para ver uma pontinha de nossa janela. Terminamos de mobiliá-lo com coisas que catávamos no lixo. Descobrimos o dia (sempre à noite) em que passava o caminhão do lixeiro. Então saímos de casa à tarde para ver o que encontrávamos entre as coisas que as pessoas jogavam fora. Conseguimos assim um grande tapete para a sala, um umidificador (extremamente necessário no inverno quando a casa fica toda fechada com o aquecimento ligado) e várias outras coisas. A mala do carro voltava cheia de cacarecos. Nossas filhas se divertiam com aquelas incursões atrás do refugo da riqueza de nossos irmãos do norte. Durante o inverno que era muito frio sempre de mais de 10º abaixo de zero, a noite chegava às 4 da tarde e os dias eram cinzentos e tristes. De nossa janela essa era a vista que tínhamos da Lake Shore Drive e do Lago Michigan ao fundo.
Olhando da janela de nosso apartamento no 12º andar, o que se via era um grande terreno baldio coberto de neve que eu atravessava todo dia para comprar pão para o café da manhã. Aquela rua lá, depois do terreno baldio é a Wilson Ave. e a transversal é a Sheridan Road.jpg)
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
País sem vergonha; pessoas sem vergonha
O ex-presidente do Senado, senador Renan Calheiros sendo cumprimentado por sua mulher após ter renunciado ao cargo para não ser cassado. Cassado por várias falcatruas que praticou e que começaram a ser descobertas através de inquéritos de CPIs depois que a amante do senador, a dublê de jornalista e modelo da revista Playboy Mônica Veloso

o processou por não pagar pensão à filha que tiveram, pensão essa que viria sendo paga com dinheiro de propina depositado por um lobista de uma empreiteira beneficiada por gestõers do senador. O senador disse que renunciava de "cabeça erguida". Depois da Hillary Clinton, qualquer esposa de senador é fichinha.
17. Ame-o ou Deixe-o
Consegui ambas as coisas e partimos para os US em setembro de 70. Fomos primeiro para Washington, fazer um pit stop na casa de meu irmão Sergio que trabalhava lá, na Embaixada Brasileira, onde ficaram a Anna e as crianças (naquela época Adriana tinha 6 e Priscilla 4 anos)e eu voei para Chicago para fazer a inscrição no ID/IIT - era o último dia - e alugar um apartamento onde iríamos morar. Depois de fazer a inscrição fui à casa de uma prima minha em 2º grau, a Titiza (filha do Roberto Maranhão, primo da minha mãe), que era casada com o Roger, um americanão também estudante. Fui num taxi guiado por um motorista negro com cara e jeito de Louis Armstrong, muito simpático. A Titiza me ajudou a encontrar um apartamento aonde eu podia pagar (minha bolsa era para um estudante solteiro e eu levava minha mulher e duas filhas pequenas), só que ficava em Deus Me Livre. Titiza arranjou-me também um colchão inflável com um furinho que fazia com que o colchão amanhecesse vazio, mas dava para dormir. Peguei um avião de volta para Washington para me reunir com a Anna, as crianças e nossas malas e aí então voltar com elas para Chicago. Liguei para a Anna e disse que eu iria chegar tal hora no vôo tal da companhia tal, e o Sergio ficou de ir com ela me esperar no aeroporto. Só que quando saí do aeroporto, não encontrei nem ela nem Servio e me vi num lugar completamente diferente do lugar de onde eu tinha saído para ir para Chicago. Meio aturdido, procurei uma cabine telefônica para ligar para o Sergio e qual não foi a minha surpresa quando entrou uma telefonista na linha e disse que aquele número não existia. Insisti dizendo que há poucas horas tinha falado com minha mulher naquele número. Não adiantou. Aí então pedi que ela me desse o telefone da casa do Sérgio, que ficava na rua tal, número tal, e para minha surpresa e total espanto, a telefonista disse que não existia nem aquela pessoa, nem aquela rua, nem aquele número. Parecia filme de ficção científica misturado com filme de terror. Me deu um negócio. Em primeiro lugar achei que não tinha entendido corretamente o que ela tinha me dito, pois ainda tinha a dificuldade inicial natural de entender a língua, ainda mais por telefone, e liguei para a telefonista outra vez, que desta vez era outra, mas que novamente me repetiu tudo o que a outra já tinha me dito antes. E agora, o que fazer? Estou perdido, não sei se embarquei no avião errado, se saltei no aeroporto errado, não sei nem onde estou. Como encontrar o Sergio e a Anna? Com calma voltei novamente à telefonista, expliquei o meu problema que a esta altura beirava o pânico, e ela inteligentemente, percebeu que se tratava de um mero problema de ignorância minha e de fronteiras e aeroportos diferentes, porém próximos. Algo assim como se eu tivesse saído do Rio de Janeiro pelo Galeão e voltado pelo Santos Dumont sem conhecer a cidade. Finalmente a telefonista me colocou em contato com o Sergio que foi me buscar. Quando ele chegou com a Anna eu cai num choro convulsivo que custou a ser contido. Foi uma das maiores emoções da minha vida.segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
16. O Povo unido jamais será vencido
Aí está o mártir do movimento estudantil contra a ditadura e a repressão.
A multidão em frente à Câmara ouvindo os discursos.
Esta é a foto emblemática do fotógrafo Evandro Teixeira.Vista da Câmara para a multidão.Eu estou junto de meus colegas da ESDI
Da Cinelândia saímos pela Avenida Rio Branco em direção à Candelária. Na frente da passeata iam além de figuras notórias da itelectualidade, pessoas como Chico Buarque, Edu Lobo, Norma Benguel, Odete Lara etc. Quando chegamos à Candelária fomos surpreendidos pela cavalaria do exército. Já estávamos preparados com bolinhas de gude que foram jogadas no chão para que os cavalos caíssem, e com eles aqueles que os montavam, ao pisar com suas patas nelas. Em Paris estava acontecendo algo parecido. Na verdade era o inconformismo da juventude do mundo para com os valores vigentes. Só que aqui era pior, pois os militares não afrouxavam o nó, ao contrário, o apertavam cada vez mais. Passamos o resto de 68 em escaramuças com o poder que se constituiu a si mesmo e que durou 21 anos.
Enquanto os Beatles cantavam "Let it be".

domingo, 2 de dezembro de 2007
15. O Design

sábado, 1 de dezembro de 2007
14. O Desenho




Um outro lado do meu desenho pode também ser visto aqui.
Caetano Veloso estava certo!

P.S. Peço sinceras desculpas aos que acharam que eu exorbitei e prometo que numa próxima situação semelhante saberei me conter, pois afinal não moramos na Finlândia e eu não irei consertar o mundo com o meu destempero.
Lula, o Juvenal Antena do Pavão-Pavãozinho

E o que significa este gesto que ele está fazendo para os favelados com a mão esquerda?

















